carta-diário para Leda






(Enviada no início de abril)


Cinco dias antes do envio:


Sigo escrevendo a carta de Leda. Não é bem uma carta, é um diário. 
A ideia era lhe escrever três histórias da minha mãe, mas não deu. Terá que ser um diário, de muitas folhas e memórias, sobre o sertão do Ceará e ela nele. 
Está demorando mais do que o planejado. 
(Ah, tenho que ser mais prática nessas trocas, ou não termino esse livro em tempo para cumprir o planejamento do ProAC!). 

*

Para Ana há um plano já. Para Lilian também. Para Gui, há uma ideia clara, a partir de uma foto.
E ainda preciso pensar com tempo nas outras seis cartas.

*

Nessa terça, passei Vidas Secas, do Nelson Pereira para meus alunos do Fábricas. Há algum tempo não via esse filme. Por ele, alguma coisa em mim disparou a escritura do diário para Leda (obrigada, Nelson!). 
Assistindo àquelas imagens preto e brancas, ouvindo aquele carro de boi, ah, quase aplaudi. E quase perdi a voz. Mas tossi e a recuperei em tempo para terminar a aula.

*

Algo do que eu lembro de minha mãe-menina esteve na projeção dos 103 minutos de filme. 

*

É. E é preciso voltar ao Sertão. Pois já faz vinte anos.

(25 de março de 2015)

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